Pandemia?
tenho me deixado como o bombril enferrujado da pia que ninguém jogou fora
a garrafa quebrada de vinho onde eu guardava sabão com as pontas afiadas apontando pro alto do lado do lixo
a tv que é o enfeite feio da sala cheia de poeira e teias
meu globo terrestre inflável que virei de cabeça pra baixo porque a europa não é o topo do mundo
minha vela grande que queimo devagar e derrete formando uma ponte abstrata
o café com leite que ela derramou no chão formando um círculo e deixou...
deixada
me vejo em desânimo e angústia.
não preencho minha mandala com as cores escolhidas, não me alongo e sinto a dor, vejo meu primeiro cabelo branco, temo a morte, olho o boletim diário - teve mais uma, minha barriga pesa, minha cabeça pensa em todas as direções, não quero ler mais um texto reflexivo nem ver produtos feitos com amor.
sinto a pressão e auto-cobrança. aprendi bem. não sei como mudar a palavra que sai agressiva e o medo estampado na minha cara. repito os padrões. conheço essas sensações. presa.
minhas palavras voltam pro papel e eu não tenho conclusão porque isso é coisa de estrutura textual de escola que eu aprendi muito bem então escrevo a conclusão.
a garrafa quebrada de vinho onde eu guardava sabão com as pontas afiadas apontando pro alto do lado do lixo
a tv que é o enfeite feio da sala cheia de poeira e teias
meu globo terrestre inflável que virei de cabeça pra baixo porque a europa não é o topo do mundo
minha vela grande que queimo devagar e derrete formando uma ponte abstrata
o café com leite que ela derramou no chão formando um círculo e deixou...
deixada
me vejo em desânimo e angústia.
não preencho minha mandala com as cores escolhidas, não me alongo e sinto a dor, vejo meu primeiro cabelo branco, temo a morte, olho o boletim diário - teve mais uma, minha barriga pesa, minha cabeça pensa em todas as direções, não quero ler mais um texto reflexivo nem ver produtos feitos com amor.
sinto a pressão e auto-cobrança. aprendi bem. não sei como mudar a palavra que sai agressiva e o medo estampado na minha cara. repito os padrões. conheço essas sensações. presa.
minhas palavras voltam pro papel e eu não tenho conclusão porque isso é coisa de estrutura textual de escola que eu aprendi muito bem então escrevo a conclusão.
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