A vida

é um sopro
divino.
A vida sopra e levanta as paredes da minha alma
expõe minha cama
meu pijama e calcinhas sujas.
Não me escondo.
Como poderia?
Estou exposta, sem paredes
que me prendem e limitam
mas também preservam e protegem.
A vida sopra
e meu rosto sente
Às vezes o sopro é tão forte
vem poeira nos meus olhos míopes
que tem dificuldade de aceitá-la - a vida
Às vezes o sopro é um bafo quente
que incomoda
e levanta a raiva que estava debaixo dos tapetes
os mil tapetes que coloquei nos meus chãos limpos
Quando a vida levanta as minhas paredes
com seu sopro ela também expõe
meus tapetes empoeirados.
Me envergonho.
Mas não será melhor a vergonha
do que essa coceira infindável que me acorda
que me irrita?
Levanta,
levanta as paredes
a poeira os tapetes
levanta até o vento
expõe o que deve ser exposto.
Deixa minha alma limpa
como o deserto
Pra areia dançar livremente
com o vento quente
cheia de raiva
de coceira
de alergia
e de paz.
O que eu escondo de mim?

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